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ESC2018

quarta, 05 setembro 2018 13:54
COMPASS e COMMANDER-HF: dois estudos, novos dados sobre rivaroxabano
COMPASS e COMMANDER-HF: dois estudos, novos dados sobre rivaroxabano

À semelhança de outras edições, foram anunciados muitos avanços ao longo dos cinco dias de Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia. A aprovação da Comissão Europeia (CE) de rivaroxabano 2,5 mg duas vezes ao dia mais ácido acetilsalicílico em dose reduzida uma vez ao dia para a prevenção de eventos aterotrombóticos em doentes adultos com doença arterial coronária (CAD) ou doença arterial periférica (PAD) com risco elevado de eventos isquémicos foi uma das novidades partilhadas no ESC 2018. Os motivos que levaram a esta decisão da CE foram expostas em diferentes tipos de sessões. Por sua vez, na área da insuficiência cardíaca, foram apresentados os resultados do COMMANDER-HF, um estudo muito aguardado, cujos resultados trouxeram novas informações na abordagem a esta patologia cardíaca.

No dia que antecedeu o arranque do ESC 2018, foi anunciado que a CE aprovou o regime de rivaroxabano 2,5 mg duas vezes ao dia mais ácido acetilsalicílico em dose reduzida uma vez ao dia para a prevenção de eventos aterotrombóticos em doentes adultos com doença arterial coronária (CAD) ou doença arterial periférica (PAD) com risco elevado de eventos isquémicos. Esta aprovação teve como base os dados provenientes do COMPASS, um estudo de fase III, que demonstrou que a dose vascular de rivaroxabano (2,5 mg duas vezes ao dias) mais aspirina (100 mg uma vez ao dia) reduziu o risco relativo de morte cardiovascular, AVC e enfarte do miocárdio em 24% (eventos cardiovasculares adversos major, MACE), versus a aspirina (100 mg uma vez ao dia) em monoterapia, nos doentes com CAD ou PAD. 

Tal como mostrou o Prof. Dr. John Eikelboom, professor associado no Departamento de Medicina da Universidade McMaster (Hamilton, Canadá), durante o simpósio satélite “Setting the COMPASS into new directions”, a combinação de rivaroxabano com aspirina permitiu uma redução do risco relativo também em cada um dos componentes MACE: 22% na morte cardiovascular, 42% no risco de AVC e 14% no risco de enfarte.

O Prof. Dr. John Eikelboom referiu ainda que, no que respeita aos outcomes de segurança, apesar do risco hemorrágico ser superior para o regime de rivaroxabano mais aspirina, em comparação com a aspirina, os eventos hemorrágicos são maioritariamente gastrointestinais (GI) e “acontecem principalmente no primeiro ano de tratamento”.

No decorrer da sua apresentação intitulada “Improved Outcomes for Patients with Chronic CAD and PAD”, o docente destacou a associação entre a hemorragia GI e o cancro GI, sublinhando que a combinação de rivaroxabano com aspirina não aumenta a incidência de cancro, mas pode ajudar a “desmascarar” este tipo de neoplasias. Ou seja, na perspetiva do Prof. Dr. John Eikelboom, “com o aparecimento de hemorragia GI em doentes tratados com rivaroxabano mais aspirina, podemos mesmo vir a diagnosticar cancro GI mais precocemente”.

Estes dados foram igualmente aprofundados durante uma sessão Late-Breaking Science, na qual o especialista apresentou o tema “COMPASS trial – Bleeding and cancer risk in patients with vascular disease treated with rivaroxabano”, tendo evidenciado também uma relação entre a hemorragia genito-urinária (GU) e os tumores no trato GU.

Novidades no tratamento da insuficiência cardíaca

Os resultados do estudo COMMANDER HF (A Study to Assess the Effectiveness and Safety of Rivaroxaban in Reducing the Risk of Death, Myocardial Infarction or Stroke in Participants With Heart Failure and Coronary Artery Disease Following an Episode of Decompensated Heart Failure) foram divulgados durante o ESC 2018, em diferentes tipos de sessões.

“COMMANDER-HF: New Directions In The Management Of Thrombotic Risks In Patients With Heart Failure?” foi o tema central de um simpósio promovido pela Bayer AG que contou com a presença do Prof. Doutor Faiez Zannad, cardiologista e docente de terapêuticas e Cardiologia no Centro Hospitalar e Universitário de Nancy (França), para apresentar este estudo que incluiu 5022 doentes com IC crónica (após episódio de descompensação), fração de ejeção reduzida ≤ 40, CAD, mas sem fibrilhação auricular, randomizados para receberem rivaroxabano 2,5 mg duas vezes ao dia ou placebo, adicionalmente à terapêutica antiplaquetária, para se avaliar o impacto na redução das taxas de mortalidade e de eventos cardiovasculares (endpoint primário de eficácia composto por morte por qualquer causa, enfarte do miocárdio e AVC).

Após um período de follow-up de 21,1 meses, observou-se que o endpoint primário aconteceu em 25% dos doentes tratados com rivaroxabano e em 26,2% dos doentes tratados com placebo, o que se traduz numa diferença que não é estatisticamente significativa. Estes resultados. Assim, neste estudo concluiu-se que a dose reduzida de rivaroxabano, quando adicionado a uma terapêutica baseada nas guidelines, não traz melhorias na redução de eventos cardiovasculares e da mortalidade por todas as causas, nem influencia positivamente nas taxas de re-hospitalização por IC.

Apesar destes resultados, o estudo COMMANDER-HF trouxe algumas informações importantes: ao contrário da hipótese colocada inicialmente, percebeu-se que os eventos mediados pela trombina não são os principais responsáveis pelos eventos relacionados com a IC em doentes hospitalizados recentemente devido à patologia. Além disso, percebeu-se que mais do que a mortalidade associada a eventos aterotrombóticos, a IC contribuiu para uma proporção significativa de mortes durante o estudo.

Por outro lado, e para reforçar as conclusões tiradas no estudo COMMANDER-HF, em inúmeras sessões do ESC 2018 foram feitas comparações entre estes resultados e os dados extraídos da subpopulação com IC incluídos no estudo COMPASS. À semelhança do que o Prof. Dr. John Eikelboom fez durante o simpósio “Setting the COMPASS into new directions”, o docente de Cardiologia e cardiologista do Royal Brompton & Harefield NHS Foundation Trust, Prof. Doutor Martin Cowie, apresentou dados do COMMANDER-HF versus COMPASS. Enquanto que no primeiro estudo foram apenas incluídos doentes com IC descompensada (agravamento da IC crónica), no segundo foram avaliados doentes de um subgrupo com IC crónica estável. Ainda assim, quando comparados os resultados em termos redução de AVC e de enfarte do miocárdio, os efeitos do tratamento rivaroxabano são muito semelhantes. Portanto, estes dados reforçam o papel de rivaroxabano na redução dos eventos cardiovasculares por causas aterotrombóticas.

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