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ESC 2019

sábado, 31 agosto 2019 19:39
Novas evidências em doentes com enfarte agudo do miocárdio sem doença coronária obstrutiva
Novas evidências em doentes com enfarte agudo do miocárdio sem doença coronária obstrutiva

“Os MINOCA são um grupo muito heterogéneo e medicá-los como se tivessem doença coronária obstrutiva não é a estratégia mais correta”, esta é uma das conclusões do trabalho intitulado “Discharge medication and 1-year outcomes in patietswith myocardial infarction and nonobstructive coronaryartery disease: a nationwide registry – based study”, desenvolvido por um grupo de investigação do qual faz parte o Dr. Pedro Azevedo, interno de Cardiologia do Hospital de Faro. A investigação foi apresentada em póster no ESC 2019. Assista ao vídeo.

“Sabemos que os doentes com enfarte agudo do miocárdio sem doença coronária obstrutiva, que vulgarmente designamos por MINOCA, ocorre em cerca de 5-10% de todos os enfartes agudo do miocárdio”, começa por referir o Dr. Pedro Azevedo. O especialista acrescenta ainda que “não existem, até à data, terapêuticas médicas preventivas ou de prevenção secundária eficazes nesta população em específico”, verificando-se uma tendência para tratá-los como se tivessem um enfarte agudo do miocárdio com doença coronária obstrutiva.

Nesse sentido, o que foi feito no decorrer do trabalho de investigação passou por “uma análise retrospetiva e observacional do registo nacional de síndromes coronários agudos de 2010 a 2017”. De seguida, o Dr. Pedro Azevedo explica que foram identificados todos os doentes que fizeram angiografia coronária e que apresentavam lesões inferiores a 50% o que constituiu 5% da amostra analisada. Por fim, o médico declara que se verificou qual a medicação usada no decorrer do internamento e após a alta hospitalar e quais as melhores alternativas que se poderiam associar a um melhor prognóstico a um ano de follow-up.

“O que vimos foi que a mortalidade a um ano era 3,8%, uma mortalidade um pouco mais baixa quando comparada com doentes que têm doença coronária obstrutiva, mas, apesar de tudo, uma mortalidade considerável e uma taxa de re-hospitalização de 9% a um ano”, explica o médico.

O especialista conclui que “estes doentes são um grupo muito heterogéneo e medicá-los como se tivessem doença coronária obstrutiva não é a estratégia mais correta”. Atualmente as indicações passam por “enquadrar os MINOCA num diagnóstico de trabalho e fazermos mais exames até termos um diagnóstico definitivo e podermos tratá-los de forma mais adequada possível”.

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