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No âmbito do Update em Medicina 2017, que decorreu entre os dias 4 e 7 de maio, no Palácio de Congressos do Algarve, a Bayer promoveu um Simpósio intitulado “Rivaroxabano - o verdadeiro significado de proteção. O que esperar da prática clínica”. Sob a moderação da Dr.ª Arminda Veiga, cardiologista do Hospital de Santa Maria, a sessão contou com a presença da Dr.ª Sílvia Monteiro, cardiologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), e da Dr.ª Patrícia Mora, especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF) na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Casal de Cambra.
As vantagens dos novos anticoagulantes orais (NOAC) na prevenção de eventos cardiovasculares relacionados com a fibrilhação auricular (FA), nomeadamente o rivaroxabano, estiveram em evidência neste Simpósio.
Segundo a Dr.ª Arminda Veiga, muitos doentes de alto risco, nomeadamente os idosos e os indivíduos com muitas comorbilidades, não estão corretamente anticoagulados. A cardiologista destacou que quando surgiram os primeiros NOAC, há uma década atrás, estes eram considerados como uma alternativa à varfarina. Atualmente, “os NOAC tornaram-se o gold standard da terapêutica anticoagulante”.
“Qual é a prioridade após o diagnóstico de fibrilhação auricular?”. Foi com a resposta a esta questão que a Dr.ª Sílvia Monteiro iniciou a sua intervenção, referindo que após o diagnóstico de FA a prioridade deve ser “estratificar o risco tromboembólico do doente”, onde é utilizado o score CHA2DS2-VASc. Relativamente à terapêutica, a cardiologista sublinhou que “os NOAC devem ser os fármacos de primeira linha, em detrimento dos antivitamínicos K, tendo em conta o excelente perfil de eficácia e segurança”.
A Dr.ª Sílvia Monteiro abordou também o papel da varfarina nos dias de hoje, que, na sua perspetiva, restringe-se a situações onde os NOAC estão contraindicados, nomeadamente quando os doentes possuem próteses valvulares mecânicas ou estenose mitral moderada a severa. Através da apresentação de algumas evidências científicas, a especialista realçou que os NOAC, em comparação com a varfarina, “permitiram uma redução do risco relativo de acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico na ordem dos 51%, uma redução da hemorragia intracraniana na ordem dos 52%, o que se deduziu numa redução da mortalidade de todas as causas na ordem dos 10%”.
O estudo de fase IV XANTUS, o primeiro estudo internacional, prospetivo, com evidência em contexto de vida real em doentes com FA com um novo NOAC que não é um antagonista da vitamina K, veio reforçar o perfil de benefício-risco positivo de rivaroxabano para a prevenção de AVC em doentes com FA. Na sua palestra, a Dr.ª Sílvia Monteiro apresentou algumas evidências demonstradas por este estudo, que, entre outros, evidenciou uma correlação entre o risco do doente e a ocorrência de eventos.
Relativamente às dosagens, a Dr.ª Sílvia Monteiro esclareceu que as doses subterapêuticas colocam o doente num risco superior de eventos tromboembólicos. Assim, a especialista realçou a necessidade de os médicos conhecerem bem os esquemas de ajuste para seleção de dose para cada fármaco e recomendou que em todas as consultas se verifique se o doente anticoagulado mantém ou não os critérios de ajuste. A cardiologista destacou também a simplicidade do esquema de redução de dose do rivaroxabano.
Para finalizar a sua intervenção, a Dr.ª Sílvia Monteiro apresentou um inquérito europeu, que incluiu um universo de 1507 doentes com FA. Este concluiu que os doentes preferem a posologia uma vez ao dia na anticoagulação, fator que facilita a adesão e a persistência terapêutica.
Em jeito de conclusão, a Dr.ª Arminda Veiga deixou à audiência do Simpósio algumas take-home messages:
- O paradigma da anticoagulação oral está a mudar. O gold standard atual baseia-se na utilização dos NOAC em primeira intenção em doentes com FA e indicação para anticoagulação oral;
- Os NOAC provaram ser tão ou mais eficazes que a varfarina e ter um perfil de segurança superior, reduzindo significativamente as complicações hemorrágicas, sobretudo o AVC hemorrágico, associando-se, por isso, a redução significativa da mortalidade de todas as causas;
- De todos os NOAC, o rivaroxabano é o mais extensamente avaliado a nível global através de ensaios clínicos e de estudos da vida real, abrangendo doentes de todo o espectro de gravidade e contexto clínico, evidenciando sempre um perfil de eficácia e segurança favorável;
- Fatores como a toma única e o fácil ajuste à função renal, promovem uma maior adesão à terapêutica e conduzem à utilização de doses mais adequadas ao perfil do doente.

