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ESC 2019

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domingo, 01 setembro 2019 22:14
Anticoagulação no contexto do TEV associado ao cancro: o que nos dizem as evidências de mundo real?
Anticoagulação no contexto do TEV associado ao cancro: o que nos dizem as evidências de mundo real?

Subordinado ao tema “NOACs in cancer associated thrombosis: managing anticoagulation in cancer patients in clinical practice”, o simpósio satélite promovido pela Bayer contou com a presença de um painel de especialistas para elucidarem os presentes quanto ao uso de anticoagulantes orais diretos (NOAC) na prevenção de eventos tromboembólicos em doentes com cancro, com base na evidência de ensaios clínicos aleatorizados e de mundo real. O Prof. Dr. Jan Beyer-Westendorf foi o palestrante responsável por mostrar o impacto das bases de dados e dos registos na prática clínica de quem tem de escolher a anticoagulação mais adequada para este tipo de doentes. Em declarações ao Cardio Talks, o diretor da Thrombosis Research Unit (Center for Vascular Medicine, Dresden) partilhou ainda a sua opinião relativamente à melhor abordagem nestes casos, com base na sua experiência. Assista ao vídeo da entrevista.

“Para o tema do tromboembolismo venoso (TEV) associado ao cancro, temos, felizmente, muita evidência de mundo real que confirma os resultados obtidos em ensaios clínicos aleatorizados”, começa por afirmar o Prof. Dr. Jan Beyer-Westendorf, lembrando que os dados apontam para a utilização dos NOAC como uma alternativa de eficácia comprovada neste contexto. Tal como recordou o especialista, os ensaios clínicos aleatorizados mostraram que, num cenário de TEV associado a cancro, os NOAC “são, pelo menos, tão eficazes quanto uma heparina de baixo peso molecular (HBPM), quando se trata de prevenir a recorrência na formação de coágulos e de complicações tromboembólicas”.

Porém, o Prof. Dr. Jan Beyer-Westendorf reforçou que a eficácia vem acompanhada de um acréscimo no número de hemorragias major, “principalmente, em doentes com cancros gastrointestinais”. Isto é igualmente observado na evidência de mundo real, extraída de bases de dados e de registos, e que demonstram que o uso de NOAC no contexto do TEV associado ao cancro, “nalguns doentes a resposta é boa, mas noutros há mais hemorragias e estes doentes são os que têm cancros gastrointestinais”.

Quando questionado sobre a melhor abordagem para estes doentes, com base na sua própria experiência, o Prof. Dr. Jan Beyer-Westendorf declarou que, em primeiro lugar, “há que ter em conta que estes são doentes muito complexos, de risco elevado de recorrência de TEV, quando comparados com doente sem cancro e TEV. E têm maior risco de complicações hemorrágicas”. Outro aspeto salientado pelo especialista é que “o perfil de risco dos doentes oncológico muda ao longo do tempo”, ou seja, difere se “se encontra antes de cirurgia ou pós cirurgia, em quimioterapia ou pós quimioterapia, se foram internados por complicações do tratamento ou se estão em regime de ambulatório”.

“Existe um perfil de risco completamente diferente. E, por isso, um doente pode beneficiar hoje de um NOAC, mas pode precisar de uma HBPM na próxima semana ou no próximo mês. E depois, pode voltar para um NOAC”, referiu, concluindo: “Estejam abertos a todas as hipóteses. Considerem os NOAC em situações de TEV associado a cancro. Mas tenham cuidado e identifiquem episódios em que as HBPM sejam a melhor opção esse doente”.

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