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Sob a moderação do Prof. Doutor Mário Oliveira, o simpósio da Bayer, que decorreu durante o Congresso Português de Cardiologia (CPC 2017), contou com a participação de um painel composto por três especialistas. Conheça as conclusões desta sessão.
“O desafio é perceber como é que a investigação de rivaroxabano se complementa, partindo dos ensaios clínicos e demonstrando a sua mais-valia e consistência na vida real.” Foi desta forma que o Prof. Doutor João Morais, diretor do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Leiria, deu início à sua intervenção, durante o simpósio da Bayer, incluído no programa do CPC 2017.
Relativamente ao ensaio ROCKET-AF, que comprovou a eficácia e segurança de rivaroxabano dos doentes com FA, “a hemorragia fatal não está aumentada no grupo do rivaroxabano”. Aliás, “é reduzida no braço do rivaroxabano, em comparação com a varfarina”.
No “mundo real”, as populações de doentes são, em geral, “mais complexas e apresentam uma série de comorbilidades”. Após estas considerações, o Prof. Doutor João Morais apresentou os dados do registo XANTUS – um registo prospetivo e observacional que incluiu 6784 doentes com FA não valvular, tratados com rivaroxabano, ao longo de um ano.
“Com o registo XANTUS conseguimos demonstrar que, num contexto de risco trombótico mais baixo (CHADS2 médio foi de 2.0), o rivaroxabano exibiu menores taxas de eventos tromboembólicos e hemorrágicos do que no estudo ROCKET-AF (CHADS2 médio de 3.5)”, clarificou o especialista. Em suma, o Prof. Doutor João Morais entende que “o benefício de rivaroxabano na prevenção do AVC estende-se para outras populações, designadamente populações de mais baixo risco”.
Resultados do estudo PIONEER-AF
Na segunda parte desta sessão, o Prof. Doutor Keith Fox, professor na Universidade de Edimburgo, deu a conhecer os resultados do estudo PIONEER-AF. Este estudo, que incluiu uma amostra de 2100 doentes com FA não-valvular, submetidos a stent coronário, comparou três estratégias de tratamento: terapêutica tripla clássica (AVK + clopidogrel + aspirina) versus terapêutica tripla composta por rivaroxabano 2,5 mg + clopidogrel 75 mg + aspirina 75-100 mg versus um esquema composto por rivaroxabano 15 mg + clopidogrel 75 mg (administração durante um ano).
Como comentário aos resultados do PIONEER, o palestrante acrescentou que “a estratégia de rivaroxabano 15 mg/dia + inibidor do P2Y12 ou rivaroxabano 2,5 mg BID + DAP está associada a uma redução clinicamente significativa de eventos hemorrágicos, em comparação com a terapêutica tripla clássica (AVK + DAP), com um number needed to treat (NNT) de 11 e 12, respetivamente”.
Quanto aos eventos cardiovasculares, verificou-se que as taxas de mortalidade cardiovascular e de enfarte agudo do miocárdio (EAM) ou AVC foram comparáveis entre os três braços. Embora o estudo não tenha sido desenhado para aferir a eficácia do esquema com rivaroxabano, o PIONEER demonstrou que “as taxas de mortalidade ou de hospitalização foram inferiores nos braços do rivaroxabano (RV 15 mg + P2Y12 = NNT 15; RV 2,5 + DAP = NNT 10)”. Desta forma, “rivaroxabano apresenta-se como um fármaco de eficácia preservada e maior segurança, mesmo nesta população de elevado risco hemorrágico”.
Utilização de rivaroxabano em doentes com compromisso do território arterial
O Dr. Carlos Aguiar, cardiologista no Hospital de Santa Cruz e coordenador do Grupo de Estudo de Trombose e Plaquetas da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), apresentou um conjunto de dados que mostram os eventuais efeitos pleiotrópicos dos anticoagulantes de ação direta (AAD).
Relativamente aos dados de evidência, o Dr. Carlos Aguiar mostrou que “um fármaco, como o rivaroxabano, desenhado para reduzir a trombose venosa, demonstrou ser capaz de diminuir os eventos arteriais, tanto fatais como não fatais (ATLAS-ACS-2), no contexto da síndrome coronária aguda”. O estudo ATLAS-ACS-2 também mostrou que, na presença de um evento plaquetário (trombose de stent), “o acréscimo da baixa dose de rivaroxabano reduz em 31% o risco de trombose de stent”.
“Os resultados preliminares de eficácia do estudo GEMINI ACS 1 (apresentado recentemente no American College of Cardiology) sugerem que o tratamento com rivaroxabano em baixa dose + inibidor do P2Y12 é tão benéfico quanto a aspirina + P2Y12 (dupla antiagregação tradicional). A segurança também foi significativamente similar no braço do rivaroxabano.”
Em agosto deste ano, serão, ainda, divulgados os dados do COMPASS, “um estudo que foi precocemente interrompido, dado o benefício significativo de rivaroxabano (em prevenção secundária), em doentes com patologia coronária estável ou doença arterial periférica.”
Atendendo aos efeitos do fator Xa na célula miocárdica e na fibrose cardíaca, serão também conhecidos, em breve, os resultados do ensaio COMMANDER-HF, que irá avaliar as vantagens da adição de rivaroxabano ao armamentário terapêutico, em doentes com insuficiência cardíaca e com disfunção sistólica ventricular esquerda.
“Os AOAD têm propriedades antiplaquetárias e anti-inflamatórias que fazem estender os seus benefícios para além da sua utilização na área da trombose venosa. Por isso, começamos a perceber melhor porque é que estes fármacos, em concreto o rivaroxabano, têm mostrado benefícios da sua utilização em doentes com complicações do território arterial e, mais recentemente, em indivíduos com insuficiência cardíaca.”
